Paralisia em Cães e Gatos
Algumas doenças podem levar a paralisia de cães e gatos. As mais freqüentes são as que afetam a coluna vertebral destes animais entre elas: traumatismos, infecções, neoplasias, doenças hereditárias. A doença mais freqüentemente diagnosticada é a doença do disco intervertebral.

O disco intervertebral é um dos componentes da coluna vertebral dos animais. Ele atua como um amortecedor entre as vértebras da coluna. Alguns animais desenvolvem doenças destes discos, apresentando desde uma dor acentuada nas costas até uma paralisia de forma aguda culminando em morte.

Para se entender melhor esta doença devemos saber que a coluna do animal é formada basicamente pela vértebra (osso), pelos discos intervertebrais, e a medula espinhal e suas raízes nervosas.
O disco intervertebral é formado por um anel fibroso e resistente e em seu interior contém uma substância gelatinosa conhecida por núcleo pulposo. Este disco pode apresentar uma degeneração ocasionando ruptura deste anel fibroso e extravasamento desta substância gelatinosa e conseqüente calcificação.

Os sinais clínicos que os animais podem apresentar variam de dores até paralisia. Isto é ocasionado pela compressão da medula espinhal pela substância gelatinosa do disco.
A degeneração do disco intervertebral varia em diferentes idades e raças. As raças condrodistróficas ( Daschund, Lhasa-Apso, Pequinês), normalmente apresentam a ruptura destes discos com perda de substância gelatinosa levando a compressão medular, a idade pode variar de dois a quatro anos. As raças não-condrodistróficas ( Pastor Alemão, Dogue Alemão), apresentam uma compressão medular sem ruptura do disco, normalmente são afetados com uma média de oito anos de idade.

Em gatos as doenças mais freqüentes que afetam a coluna vertebral são fraturas em decorrência de atropelamentos e quedas. As doenças degenerativas dos discos são incomuns nesta espécie.
Nos animais afetados os sinais que podemos observar são:

• Idade: Nas raças condrodistróficas a média de idade é de quatro anos, enquanto nas não-condrodistróficas é de oito anos.
• Alterações de movimentos: Alguns animais apresentam dificuldade em subir as escadas, no sofá, o que faziam normalmente. Em casos graves pode apresentar uma incoordenação das patas , tropeçando ou uma paralisia.
• Dor: Podem apresentar dor quando as costas são palpadas ou quando são erguidos pelo proprietário.
• Apetite: a perda do apetite está associada a presença de dor.

Após a avaliação geral do animal e do sistema nervoso para verificar a gravidade da lesão é solicitado uma radiografia para se determinar a localização do disco comprometido.

Quanto ao tratamento ele varia conforme a gravidade da lesão, que pode ser: dor nas costas (hiperpatia) até a paralisia dos membros. As formas de tratamento são: não-cirúrgicos e cirúrgicos.

Em casos não-cirúrgicos os animais podem ser tratados com repouso e uso de antiinflamatórios. Nos casos cirúrgicos os animais são submetidos a operação para a remoção do material que está comprimindo a medula espinhal. Neste último caso existem diferentes técnicas de descompressão conhecidas por laminectomia, hemi-laminectomia ou fenestração.

Nos animais que serão operados é necessário a realização de uma mielografia, trata-se de uma radiografia contrastada da coluna vertebral. Neste exame é injetado um líquido (contraste) no interior da coluna vertebral do animal anestesiado para localizar a área de compressão.

A resposta ao tratamento varia quanto ao tipo de lesão e o tempo desta doença. Após a realização da operação e sua adequada recuperação é iniciado o mais breve a fase de fisioterapia, para a reabilitação dos movimentos e redução de atrofia muscular.

As técnicas de fisioterapia , executada por um especialista variam entre a natação, exercícios musculares e de posicionamento e acupuntura.
Infelizmente, ainda hoje muitos cães são sacrificados inutilmente por apresentarem alguma deficiência locomotora. A isto se deve o desconhecimento das pessoas e a falta do verdadeiro apoio quando eles mais precisam.

Na maioria dos casos estes animais poderiam ter uma chance de recuperação após a realização da operação.


AUTOR: Dr.Marcos de Souza Abrahão CRMV-SP 8044
ICV- Instituto de Cirurgia Veterinária
Rua Presidente Arthur Bernardes Pça Bruxelas 610
São Bernardo do Campo S.P.
CEP: 09730-000
Tel 96911714

DATA DO ARTIGO: 20/07/2001


  

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